Walter Koenig, ator que interpretou Pavel Chekov em Star Trek, morreu no domingo, aos 90 anos, em sua casa em North Hollywood, Los Angeles. A morte foi confirmada por seu agente, Zachery McGinnis.

Continua após a publicidade

Na série, ele vivia o navegador russo da USS Enterprise. Koenig participou de 36 episódios da produção original e de sete filmes da franquia, que se tornou uma das referências da ficção científica na televisão e no cinema.

Intérprete de Chekov, Walter Koenig participou de 36 episódios de Star Trek e sete filmes, além de atuar na série Babylon 5. – Imagem: Kathy Hutchins/Shutterstock

Como Chekov entrou para a tripulação

Koenig chegou a Star Trek no início da segunda temporada, em 1967. Gene Roddenberry, criador da série, queria atrair espectadores mais jovens, já que parte do público adolescente considerava William Shatner, intérprete do capitão Kirk, e Leonard Nimoy, o Spock, velhos demais.

Aos 30 anos, Koenig se encaixava no perfil procurado. Até o penteado de Chekov tinha uma referência pop: Davy Jones, integrante da banda The Monkees, popular entre adolescentes da época. O personagem também representava uma visão de futuro em que um oficial russo trabalhava ao lado de americanos, enquanto a humanidade explorava o espaço em conjunto, apesar das tensões da Guerra Fria.

Nem tudo na produção convencia o ator. Antes de entrar para o elenco, ele evitava assistir à série porque achava artificiais as rochas de uma cena ao ar livre. Mais tarde, ao comentar os efeitos especiais, resumiu sua avaliação: “Os gatilhos nem sequer saltavam”.

Um de seus episódios favoritos era “Spectre of the Gun”, exibido em 1968. Na trama, alienígenas obrigavam a tripulação a participar de um duelo no Velho Oeste. Chekov levava um tiro disparado por Wyatt Earp, embora a situação não passasse de uma ilusão.

Da atuação aos roteiros

Nascido em Chicago, em 14 de setembro de 1936, Walter Marvin Koenig era filho de imigrantes judeus russos vindos da Lituânia. Começou a estudar medicina na Grinnell College, em Iowa, mas se transferiu para a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), onde se formou em psicologia.

A escolha pela atuação veio depois de experiências no teatro durante os anos de estudo. Em uma entrevista ao Archive of American Television, em 2013, Koenig relembrou a incerteza daquele período: “Eu não sabia o que fazer da minha vida. Eu era como uma folha ao vento”.

Depois de estudar atuação em Nova York, participou de séries como Mr. Novak e The Alfred Hitchcock Hour. Também trabalhou em The Lieutenant, produção criada por Roddenberry, que se lembrou dele ao escalar Star Trek.
Quando a série original terminou, Koenig enfrentou dificuldades financeiras e começou a escrever roteiros para pagar as contas. Entre seus trabalhos esteve um episódio de Star Trek: The Animated Series. Nos anos 1990, voltou à ficção científica como Alfred Bester, um policial telepata manipulador, em 12 episódios de Babylon 5.
Entre os filmes da franquia, seu favorito era Star Trek IV: A Volta para Casa, de 1986. A história acompanha uma viagem no tempo para resgatar baleias e evitar uma catástrofe na Terra. Para Koenig, o longa refletia a proposta de Roddenberry de abordar questões sociais e políticas do mundo contemporâneo.
Gene Roddenberry (de pé, atrás da câmera) criou Chekov para ajudar a atrair espectadores mais jovens para a série. Imagem: Divulgação/Paramount Pictures
Continua após a publicidade
A relação com os fãs
Koenig se casou com a atriz Judy Levitt em 1965. Ela participou de três filmes de Star Trek e morreu em 2022. O ator deixa a filha, Danielle Koenig, e um neto. Seu primeiro casamento, com a atriz Anjanette Comer, terminou em divórcio.
Os admiradores da franquia, conhecidos como Trekkies, também ocupavam um lugar especial em sua trajetória. Em entrevista ao Archive of American Television, Koenig descreveu o público como pessoas ligadas à humanidade, à justiça e à política.
“Pessoas que tinham imaginação — e pessoas que amavam monstros”, afirmou.
Entre os aspectos que marcaram sua carreira, a relação com esses fãs ajuda a explicar por que Chekov continuou presente na memória do público muito depois do fim da série original.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
Ver todos os artigos →
Tags: babylon 5 ficção científica Star Trek


