Crash of the Titans é um jogo de plataforma de 2007 desenvolvido pela Griptonite Games e publicado pela Vivendi Games para o Nintendo DS. É um título da série Crash Bandicoot e uma versão alternativa do jogo de console de mesmo nome desenvolvido pela Radical Entertainment. Assim como a versão para consoles de mesa, o jogo gira em torno do protagonista Crash Bandicoot, que deve utilizar golpes de combate para subjugar e assumir o controle de grandes criaturas chamadas "Titãs", as quais estão sendo criadas por seu arqui-inimigo, Doutor Neo Cortex. Embora ambas as versões compartilhem o foco na mecânica de "dominar" os Titãs, a versão para Nintendo DS difere significativamente em seu enredo e no uso extensivo da tela sensível ao toque e do microfone. O jogo recebeu críticas mistas da imprensa especializada, que elogiou a variedade da jogabilidade e os visuais, mas criticou o sistema de combate, os controles da tela tátil e o tom excessivamente infantil.
Jogabilidade A versão para Nintendo DS de Crash of the Titans é um jogo de plataforma com elementos de beat 'em up. O jogador controla Crash Bandicoot, cujo objetivo é impedir o plano de seu arqui-inimigo, Doutor Neo Cortex, de transformar e controlar a população das Ilhas Wumpa. O jogo é ambientado em quatro ilhas, cada uma composta por dois níveis e um chefe. Ao derrotar um chefe, uma nova ilha é desbloqueada, permitindo ao jogador viajar entre elas desenhando um caminho na tela sensível ao toque. A jogabilidade ocorre em uma perspectiva de terceira pessoa. Crash pode mover-se em oito direções e está equipado com uma série de manobras ofensivas. Ele também pode usar seu aliado, a máscara flutuante Aku Aku, como escudo contra ataques inimigos ou como arma de impacto. Inimigos maiores, conhecidos como "Titãs", possuem uma barra de vigor que se esgota conforme sofrem danos. Quando essa barra zera, o Titã fica atordoado e vulnerável; utilizando a tela tátil, o jogador pode lançar o ícone de Aku Aku sobre a criatura para assumir seu controle, permitindo que Crash utilize seus poderes. Cada Titã possui um ataque especial ativado pela tela tátil ou pelo microfone. Enquanto controla um Titã, Crash pode saltar diretamente para outro que esteja atordoado. Durante o jogo, orbes mágicos chamados "Mojo" podem ser coletados ao derrotar inimigos, realizar sequências de dominação e destruir caixas. O Mojo coletado permite melhorar as habilidades de Crash em quiosques localizados nas fases. Mojo extra pode ser obtido se o cartucho da versão de Game Boy Advance de Crash of the Titans estiver inserido no console. Cada ilha conta com um tabuleiro de pachinko, onde os jogadores podem ganhar itens com efeitos variados, como restauração de saúde, invencibilidade temporária e explosões. Conteúdo adicional, como artes conceituais, trapaças (cheats) e prêmios em Mojo, também pode ser obtido nesses tabuleiros. Em qualquer nível, é possível obter uma Gema ao coletar uma quantidade específica de Mojo, destruir todas as caixas e encontrar as máscaras Tiki ocultas (bronze, prata e ouro). Em momentos específicos, o jogador assume o controle de Nina Cortex, sobrinha de Cortex, que utiliza uma arma de raios para transformar as criaturas da ilha em capangas mutantes. A arma de Nina é recarregada girando uma manivela na tela tátil.
Enredo O Doutor Neo Cortex manipula o antigo poder do Mojo para transformar as pacíficas criaturas das Ilhas Wumpa em poderosos Titãs. Para obter essa energia, Cortex captura várias Máscaras Tiki, incluindo Aku Aku, o aliado de Crash. Crash confronta o vilão e consegue libertar Aku Aku, mas Cortex escapa. Enquanto a dupla se aventura pelo arquipélago coletando Mojo, Cortex ordena que seus capangas, Doctor N. Gin e Tiny Tiger, construam e estoquem combustível para um colossal robô chamado "Cortexbot". Paralelamente, sua sobrinha Nina continua a mutação da vida selvagem local. Dingodile, tenta impedir o progresso de Crash, sem sucesso. Insatisfeita com a incompetência do tio e percebendo as falhas no plano, Nina começa a conspirar para assumir a operação, recrutando N. Gin e Tiny após serem derrotados por Crash. Eventualmente, Nina confronta Cortex e revela que o único propósito do Cortexbot é dançar. Crash e Nina perseguem Cortex, que foge para o interior do Cortexbot e finge render-se. Se o jogador não tiver coletado todos os itens do jogo, Crash reflete um disparo da arma mutante de Nina contra ela, transformando-a em uma criança. Cortex tenta eliminar Crash pessoalmente, mas é derrotado e seu robô destruído. O vilão e a sobrinha restaurada escapam para sua mansão, onde Cortex elogia a traição de Nina. Caso o jogador atinja 100% de conclusão, Nina consegue atingir Crash com sua arma, transformando-o em uma versão minúscula e inofensiva. Ela então derrota Cortex sozinha e ordena que N. Gin e Tiny consertem o Cortexbot, com a intenção de usá-lo para destruir as Ilhas Wumpa.
Desenvolvimento e lançamento A versão para Nintendo DS de Crash of the Titans foi desenvolvida pela Griptonite Games, uma divisão da Amaze Entertainment, e publicada pela Vivendi Games sob o selo Sierra Entertainment. O desenvolvimento foi liderado por Eli Ford e Marc Hall, com produção de Mike Platteter (Amaze) e Joe Selinske (Radical Entertainment). Kevin Chung atuou como artista principal, liderando a equipe de arte e animação. O design do jogo ficou a cargo de Shawn Truesdell, Darrin Michelson e Kami Neumiller, com programação de Truesdell, Neumiller, Platteter e Michael Humes. A trilha sonora foi composta por Nathaniel Papadakis, e os efeitos sonoros criados por Matt Piersall e Jimi Barker. A dublagem desta versão, selecionada e dirigida por Eric Weiss, foi gravada meses após a versão de console e conta com um elenco reduzido, incluindo Jess Harnell, Lex Lang, Greg Eagles, Debi Derryberry e Nolan North. Este foi o segundo jogo de plataforma 3D tradicional da Griptonite para o Nintendo DS. Apesar de o motor de jogo ser robusto, o projeto enfrentou prazos apertados, limitando o refinamento da jogabilidade. A mecânica de "dominação" exigiu que a equipe dividisse o foco entre essa recurso e os elementos clássicos de plataforma. Para agilizar o processo, a liderança optou por replicar as mecânicas e animações dos jogos originais de Crash Bandicoot do PlayStation. Ao usar esses jogos como base, a equipe buscou garantir uma jogabilidade sólida economizando tempo de desenvolvimento. O objetivo era manter o tom e a história da versão de console, aproveitando os recursos do DS como a tela tátil e o microfone. A conectividade com a versão de Wii foi cogitada, mas descartada devido a limitações técnicas e de tempo. Os personagens Crunch Bandicoot e Uka Uka, presentes nos consoles de mesa, não aparecem nesta versão. O jogo foi anunciado em abril de 2007 e lançado na América do Norte em 2 de outubro, na Europa em 19 de outubro e na Austrália em 25 de outubro de 2007.
Recepção Crash of the Titans recebeu críticas "mistas ou médias" segundo o agregador de críticas Metacritic. Craig Harris, da IGN, afirmou que o jogo servia como "um fantástico pedido de desculpas por Crash Boom Bang!", sugerindo que a Amaze Entertainment havia dedicado sua equipe principal ao título. Ele elogiou o design dos níveis e a variedade proporcionada pelas mecânicas dos Titãs e minijogos. Zachary Miller, do Nintendo World Report, comparou a mistura de plataforma e luta à franquia God of War; ele elogiou a jogabilidade rápida e interessante, mas sentiu que os ambientes e inimigos eram repetitivos. Frank Provo, da GameSpot, apreciou a variedade e a nova mecânica de dominação, mas lamentou a curta duração da campanha. Louis Bedigian, da GameZone, comparou a jogabilidade básica à da trilogia original do PlayStation. Tracy Erickson, da Pocket Gamer, considerou a mecânica de dominação o único elemento inovador, descrevendo o título como um jogo de plataforma genérico, exemplificado pelos níveis de Nina, que considerou forçados e de ritmo inconsistente. Os gráficos foram elogiados por serem coloridos e detalhados, embora falhas em texturas e modelos tenham sido notadas. Harris admirou o redesenho de Crash, considerando-o "mais descolado" que as versões anteriores. A fidelidade visual em relação à trilogia original também foi destacada. O combate foi criticado por ser repetitivo e, por vezes, desbalanceado. Bedigian apontou que o excesso de lutas ofuscava os elementos de plataforma, transformando o jogo em um "esmagador de botões". Harris notou a falta de impacto nos ataques. A inteligência artificial foi descrita como simplista, embora Miller tenha achado os inimigos finais injustos e frustrantes. O uso da tela tátil para dominar inimigos foi considerado desajeitado, quebrando o ritmo ao exigir que o jogador tirasse as mãos dos botões. O humor, a dublagem e as cenas de corte foram criticados por serem excessivamente infantis, com Bedigian argumentando que o estilo de desenho animado afastava o público mais velho. A trilha de risadas foi considerada desnecessária, e o enredo classificado como mal contado e pouco envolvente.==Referências==